Durante boa parte da minha vida, aprendi a fazer muitas coisas com as próprias mãos.
Minha trajetória nunca foi limitada a uma única profissão ou área de conhecimento. Passei pela tecnologia, informática, eletrônica, serralheria, soldagem, marcenaria, escultura e trabalhos manuais. Também encontrei na permacultura uma forma de compreender melhor a relação entre o ser humano, a natureza e aquilo que somos capazes de construir.
As artes marciais também fazem parte dessa história.
Praticar e ensinar artes marciais sempre significou muito mais do que simplesmente movimentar o corpo. Existe disciplina, equilíbrio, resistência, coordenação, concentração e, principalmente, a compreensão dos próprios limites. Ao longo dos anos, o corpo foi uma das minhas principais ferramentas de trabalho, aprendizado e expressão.
Também trabalhei com atividades que exigiam esforço físico, precisão e habilidade manual. Soldar, cortar, montar, construir, consertar, esculpir, trabalhar com madeira, lidar com ferramentas e equipamentos tecnológicos sempre fizeram parte da minha vida.
Talvez por isso seja tão difícil aceitar quando o próprio corpo começa a impor limites.
Uma vida que mudou depois de um acidente
Em 2001 sofri um grave acidente de trabalho.
Tive fraturas na perna esquerda, alterações decorrentes das lesões, problemas relacionados ao abdômen e ao rim direito, além de cirurgias e outras consequências que permaneceram ao longo dos anos.
Apesar das sequelas, continuei procurando trabalhar, aprender e produzir.
Não deixei de ser uma pessoa ativa.
Continuei desenvolvendo minhas habilidades, trabalhando com tecnologia, atividades manuais, arte, educação e diferentes projetos. Aprendi a adaptar minha vida às dificuldades que apareciam.
Mas algumas limitações não desaparecem simplesmente porque temos vontade de continuar.
Quando o corpo começa a cobrar a conta
Nos últimos anos, novos problemas de saúde tornaram essa adaptação ainda mais difícil.
Em 2025 passei por um período particularmente complicado, envolvendo problemas intestinais, internações e cirurgias. O tratamento exigiu cuidados, repouso, mudanças na alimentação, curativos e acompanhamento médico.
A partir daí, aquilo que antes eu conseguia fazer com relativa naturalidade passou a exigir muito mais esforço.
Deslocamentos, atividades físicas, manutenção de equipamentos, trabalhos manuais e outras tarefas que sempre fizeram parte da minha rotina passaram a ser muito mais difíceis.
Isso não significa que eu tenha perdido minhas capacidades.
Significa que elas já não podem ser utilizadas da mesma maneira.
Existe uma diferença enorme entre ter conhecimento e habilidade para fazer alguma coisa e ter condições físicas para executá-la regularmente.
Eu continuo sabendo consertar.
Continuo sabendo construir.
Continuo sabendo ensinar.
Continuo sabendo criar.
Continuo sabendo trabalhar com tecnologia.
Mas hoje preciso respeitar aquilo que meu corpo permite.
A tecnologia como uma nova possibilidade
Foi justamente por isso que comecei a buscar formas diferentes de continuar trabalhando.
O atendimento remoto, a consultoria tecnológica, a presença digital, a criação de conteúdo, a edição de imagens, os blogs e outros trabalhos digitais passaram a representar possibilidades mais compatíveis com minhas limitações atuais.
São atividades que consigo realizar sem a necessidade dos mesmos deslocamentos e esforços físicos de uma manutenção convencional.
Mas também não são uma solução mágica.
Os trabalhos aparecem de maneira irregular e, muitas vezes, os valores recebidos não são suficientes para cobrir todas as despesas da vida cotidiana.
Ainda assim, cada trabalho representa uma oportunidade de continuar produzindo e, principalmente, de não abandonar aquilo que sempre fez parte de mim: a vontade de aprender, criar e ajudar outras pessoas.
Continuar criando também é uma forma de resistência
Além da tecnologia, continuo encontrando na arte uma maneira de permanecer ativo.
Escrevo poesias.
Componho canções.
Desenvolvo projetos culturais.
Trabalho com imagens e conteúdos digitais.
São atividades que permitem transformar experiências, sentimentos e conhecimentos em alguma coisa que possa chegar a outras pessoas.
Não pretendo apresentar minha história como uma história de derrota.
Muito pelo contrário.
Minha vida foi construída sobre adaptação.
Aprendi isso nas artes marciais, na permacultura, na oficina, na serralheria, na marcenaria, na tecnologia e em todas as outras áreas pelas quais passei.
A força não está apenas em conseguir fazer tudo.
Às vezes, força também é reconhecer que não conseguimos mais fazer determinadas coisas da mesma maneira e encontrar outro caminho.
Um momento de dificuldade
Atualmente estou enfrentando também uma fase financeira bastante difícil.
O processo judicial relacionado ao INSS continua em andamento, enquanto sigo realizando o possível dentro das minhas limitações.
Não estou buscando transformar minha condição em espetáculo ou fazer da minha situação um motivo para constranger ninguém.
Estou apenas tornando pública uma realidade que, neste momento, faz parte da minha vida.
Tenho conhecimento, experiência e vontade de trabalhar.
O que diminuiu foi a capacidade física de transformar tudo isso em trabalho regular e suficiente para minha manutenção.
Por isso, qualquer pessoa que puder contribuir voluntariamente estará ajudando diretamente a atravessar este período.
As contribuições podem ser feitas pelo Pix:
andersoncoopcultural@gmail.com
Toda contribuição, independentemente do valor, será recebida com gratidão.
Próximo acompanhamento médico
Tenho uma nova consulta na Santa Casa, em Porto Alegre, no dia:
10 de setembro de 2026 — às 07h30
Esse acompanhamento faz parte dessa caminhada de tratamento e recuperação.
Até lá, sigo tentando organizar minha vida da melhor maneira possível, respeitando os limites que o corpo passou a impor.
E, dentro do possível, continuo trabalhando
Para quem quiser me ajudar não apenas através de uma contribuição, mas também contratando algum trabalho que eu consiga realizar remotamente, continuo disponível para atividades digitais.
Também posso produzir poesias e canções personalizadas, trabalhos que unem minha experiência artística, minha história e minha capacidade de transformar ideias e sentimentos em palavras e música.
Quem tiver interesse pode entrar em contato pelo e-mail:
andersoncoopcultural@gmail.com
Peço, inclusive, que neste momento seja dada preferência ao contato por e-mail, pois meu número de telefone poderá ser alterado nos próximos dias.
Não sei exatamente quanto tempo levará para reorganizar tudo.
Mas sei que ainda tenho muito para criar.
A história não terminou.
Apenas mudou o ritmo.
E talvez uma das maiores lições que aprendi ao longo de toda essa caminhada seja justamente esta:
a verdadeira força não está em ignorar os próprios limites, mas em aprender a continuar apesar deles.